A morte é um acontecimento tão inexplicável que chega a ser um evento dicotomizado entre o bem e o mal. Ou seja, é considerado por uns um descanso merecido e para outros é um preço a ser pago. Em diferentes culturas e diferentes épocas a morte delineia significados distintos. Profissionais da área da saúde enfrentam a morte com inimigo invisível, derrota, falha, etc. Devido à constante evolução da medicina, “automatizando” e prolongando a vida.
A pesquisadora Elisabeth kubler-Ross descobriu que no processo de morte, há cinco fases bem nítidas. A primeira delas está sendo chamada de negação e isolamento. Diante da informação da inevitabilidade de sua morte, a pessoa inicialmente não acredita naquilo que os médicos dizem. Quando porém, não é mais possível negar o óbvio, entra numa segunda fase, da Riva, da ira e da inveja. “Por que eu? Existem mil razões para eu não morrer”. Pessoas que acreditam em Deus começam a culpá-lo. “Que Deus é este, que me deixa morrer, sabendo que a minha família ainda precisa de mim?”
Existe de fato, mil razões para não morrer, e, na segunda fase, essas razões estão sendo lembradas. Porém, diante da impossibilidade de impedir a morte, a pessoa se torna agressiva. Tal agressividade se volta contra si mesma, contra Deus e contra as pessoas em torno de si. A equipe hospitalar que trabalha com paciente terminais conhece muito bem as explosões de raiva que podem acontecer nessa fase.
A terceira fase tem início com a capacidade de superação da raiva, que dá lugar à negociação. A pessoa tenta negociar um prazo maior. “Vou morrer, sim, mas não já, e sim no ano que vem”. Em geral, porém, essa negociação é infrutífera. Aí se segue a quarta etapa: a depressão. Chega um momento em que o paciente terminal deve despedir-se do mundo e, nessa ocasião, percebe amar sua vida muito mais do que havia pensado. A despedida torna-o triste, mas realizá-la é a condição para poder aceitar a morte.

Somente após essa aceitação a pessoa se tranqüiliza. Nesse momento, então, passa a reunir condições para falar do seu morrer com serenidade e, muitas vezes nessa fase, é o paciente quem consola a família e não mais a família que o consola. A interdição deste assunto é resultado do efeito ruim que a afinidade das experiências humanas nos proporcions. Nesse aspecto, o suicídio aparece como fenômeno social característico das sociedades modernas.
As diferentes pessoas, de diferentes nações, de diferentes grupos sociais por séculos tentam entender o que é a morte verdadeiramente. E nesta busca por entendimento do que é o fenômeno da morte, vem a questão, como lidar com a morte? Como se conformar com o inevitável fim da existência? Perguntas que cientistas, religiosos, médicos, sociólogos estarão continuamente procurando.

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